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Concurso PF: delegado fala sobre edital e lista dicas de preparação

Em 03/09/2020 | Baixe o App amo Direito
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bit.ly/351oFNW | No fim de agosto a notícia sobre a autorização de um novo concurso PF alegrou os futuros servidores que sonham com uma vaga na Polícia Federal. A informação foi anunciada pelo presidente Jair Bolsonaro durante uma de suas tracionais lives no Facebook, às quintas-feiras.
No entanto, ainda não foi publicado oficialmente o aval para esta seleção. Enquanto a autorização não sai, os candidatos seguem com a expectativa para saber mais detalhes sobre o concurso.
Folha Dirigida conversou com Adriano Barbosa, delegado da Polícia Federal e diretor da Associação dos Delegados de Polícia Federal (ADPF), durante uma live no Youtube.
Na entrevista, Barbosa comentou sobre a necessidade de pessoal na PF e sobre o edital que está para ser publicado. Confira!
Segundo Adriano Barbosa, esta é uma grande oportunidade para os candidatos. O delegado da PF destacou que, historicamente, a Polícia Federal realiza dois concursos por década.
"Esse anúncio recente quebra essa lógica e inaugura, num intervalo de três anos, dois concursos. Esta é uma oportunidade de ouro", disse.


Resumo do concurso PF 

  • Órgão: Polícia Federal
  • Vagas: 2.000
  • Cargos: escrivão, papiloscopista, delegado e agente
  • Escolaridade: nível e superior
  • Status: aguardando autorização
  • Banca: a definir


Concurso PF tem 2 mil vagas anunciadas para área policial


O presidente da Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef), Luís Boudens, já havia informado que o concurso trará uma oferta para área policial de 2 mil vagas, distribuídas da seguinte forma:
  • 1.016 vagas de agente;
  • 600 vagas de escrivão;
  • 300 vagas de delegado; e
  • 84 vagas de papiloscopista.

Muitos sentiram falta da função perito, que conta com um grande défict na corporação. Barbosa não descarta a possibilidade de que a carreira ainda possa ser incluída na oferta de vagas para este concurso.
"Oficialmente não foi divulgado, mas é possível que seja oferecido porque a demanda existe", destacou.

No entanto, o pedido de concurso da PF também contempla cargos para área de apoio. Mas, para as funções da área administrativa ainda não há previsão de autorização.
O delegado apontou que a necessidade para área administrativa também é alta, mas a autorização de um concurso para essas funções é mais díficil.
Primeiro, porque, diferentemente das carreiras da área policial, os cargos administrativos não são considerados carreiras típicas de estado. Além disso, o delegado especulou que a Reforma Administrativa também pode impactar na realização de concurso para estas carreiras.
Até o momento, as vagas anunciadas são para carreiras de nível superior. Confira os requisitos e remunerações:
(Clique sobre a imagem para ampliá-la)

Para o cargo de delgado há a necessidade de comprovação de atividade jurídica. Barbosa destacou que os interessados nessas vagas devem ficar atentos às novidades na instrução normativa que regulamenta a prática jurídica e policial. O documento passou por modificações em julho deste ano.
"A Polícia Federal não aceita pós-graduação como prática jurídica, mas ela ampliou o rol de atividades policiais. Por exemplo, policiais penais e agentes penitenciários. E olha a novidade: agentes socioeducativos com três anos de prática são admitidos na polícia para o cargo de delegado, levando em conta a atividade policial. E os militares das Forças Armadas (Marinha, Exército e Aeronáutica). Os bombeiros militares também foram incluídos."

Os salários oferecidos pela PF costumam atrair muitos candidatos, mas a possibilidade de crescimento na carreira também é uma das vantagens desse concurso. Adriando Barbosa explicou que há boas oportunidades tanto em relação à capacitação, quanto para chances de crescimento profissional.
Além de poder garantir acesso a capacitações técnicas e acadêmicas em instituições renomadas, os servidores da PF também têm a chance de conseguir uma oportunidade internacional, por exemplo.


Delegado da PF aponta estimativa para publicação do edital


Nos comentários, os interessados no próximo concurso da Polícia Federal queriam saber quando sai o edital do concurso. De acordo com Adriano Barbosa, a expectativa é que o documento seja publicado em dezembro deste ano ou, mais tardar, em janeiro de 2021.
Segundo ele, os concursos PF costumam ser longos, com duração de seis meses. Assim, com a publicação do edital em dezembro, no meado de 2021 já será possível a realização do Curso de Formação dos aprovados no concurso.
Quanto a data em que será publicada a autorização, ainda não há informações concretas. Mas o diretor da ADPF acredita que entre este mês de setembro e início de outubro, o aval deve ser divulgado.
"Creio que entre setembro e outubro estejamos nos limites máximos para dar a largada nesse concurso."


Confira algumas dicas de preparação para as provas do concurso


Quem garantir uma oportunidade não pode perder tempo e deve começar a estudar o quanto antes. De acordo com Adriano Barbosa, oes três maiores pecados que um candidato comete quando está se preparando para um concurso como o da PF são:
  • Deixar para estudar quando sair o edital;
  • Só estudar o que gosta ou tem afinidade e não fazer um estudo equilibrado; e
  • Negligenciar a preparação física.

A melhore referência até o momento, continua sendo o edital do concurso anterior, realizado em 2018. "Não há sinalização de mudança, a referência continua sendo a mesma."
Durante a entrevista, alguns internautas chegaram a questionar sobre a possibilidade de haver alteração no programa da PF e ser cobrada a disciplina de Inglês na avaliação. O delegado descartou a possibilidade:
"O pessoal está perguntando por causa da PC DF. O edital da PC DF teve previsão. Em princípio, a lógica é seguir o padrão de 2018. Temos que lembrar que a PC DF guarda muitos pontos em comum com a Polícia Federal por conta do regime disciplinar, mas a atribuição deles é completamente diferente da nossa. Não vale a pena gastar energia agora com uma coisa que não estava prevista no edital de 2018", enfatizou.

Adriano Barbosa, que também é professor de Direito Penal, apontou quais assuntos sobre essa disciplina a PF tende a explorar mais na prova, para os cargos já previstos. Segundo ele, para os cargos de agente, escrivão e papiloscopista, a polícia pede Noções de Direito.
"É muito centrado na chamada aplicação da Lei Penal, entre os artigos 1º e 12, e os crimes em espécie, notadamente contra as pessoas, o patrimônio e a Administração Pública. Crimes como peculato, corrupção, prevaricação, crimes que tem muita ligação com a matéria que a Polícia Federal investiga."

O professor ainda apontou que a lei mais cobrada nos concursos da PF é a Lei de Drogas (Lei nº11.343/2006). Barbosa ressaltou que já fez um estudo estatístico sobre legislação em provas e a lei com maior incidência é essa.


Prova para o cargo de delegado tem cobrança mais elevada


Para delegado federal a cobrança muda. Isso porque esses concorrentes são bacharéis em Direito.
Por isso, o professor destacou que os concorrentes devem ter domínio absoluto sobre a Teoria Geral do Crime, a chamada dogmática penal. Então, a recomendação é dominar as bases teóricas referentes à aplicação da Lei Penal e Teoria Geral do Crime.
Nos crimes em espécie, o professor orientou que os candidatos avancem no quarteto: crimes contra a vida; crimes contra o patrimônio; crimes contra a fé publica; e contra a Administração Pública.
Além disso, ainda há as Leis Penais: legislação de crime organizado, lavagem de dinheiro, tráfico de drogas, lei de tortura, crimes hediondos, entre outras.
"No programa de Penal o que tem de mais extenso, não necessariamente mais denso, mas mais extenso para delegado é o programa de legislação especial. É uma enormidade de leis."

Barbosa reforçou que, além de Penal, outras três disciplinas importantes para delegados são: Direito Processo Penal, Direito Administrativo e Direito Constitucional. As quatro disciplinas representam 60% da prova de delegado da Polícia Federal. As matérias caem nas provas:
  • Objetiva;
  • Discursiva;
  • Peça Profissional; e 
  • Oral.

Adriando Barbosa ressaltou a importância dos candidatos se prepararem com antecedência, considerando o grau de dificuldade das provas e a concorrência. Aos que estão se preparando, o delegado deixou a seguinte mensagem:
"Não sei se você tem religião ou não. Não sei se você acredita em Deus ou não. Mas, se você não acredita, tenha, pelo menos, fé em você. Um dos grandes pilares que temos que ter é fé em nós mesmos e em Deus. É acreditar no nosso potencial. É não deixar essa roda gigante de altos e baixo do concurso te impactar ou deixar impactar o mínimo possível. O melhor remédio para isso é fé. Fé em você mesmo, fé em Deus e acreditar que vai dar certo. Não desista, não deixe nunca ninguém dizer que não é para você."

Por Folha Dirigida
Fonte: folhadirigida.com.br